Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve Bank, o Banco Central americano (ou simplesmente FED para os íntimos), encontrou uma forma interessante de alertar aos investidores que os mercados de ações estavam super valorizados e continuavam em alta.
Foi o que ele denominou de exuberância irracional. Em termos práticos, significava que o mercado de ações estava indo para um caminho onde a excessiva valorização não encontrava justificativa e não poderia ser sustentada a longo prazo.
Observando os fatos, creio que em Juiz de Fora (e em várias outras cidades do Brasil) o mercado imobiliário esta passando por uma fase de exuberância irracional.
Um apartamento de 3 ou 4 quartos em vários prédios da cidade que tem uma área de lazer, entendendo-se como área de lazer uma pequena piscina (quando há) e um parquinho para crianças pequenas esta sendo vendido entre R$700.000 e R$1.000.000, um valor que eu chamo de irracional, não é nem absurdo, é muito pior que isto.
Eu creio que estes preços não se sustentarão por vários motivos:
1)Juiz de Fora é uma cidade pobre, onde uma minoria possui muito e maioria tem pouco, mas comporta-se e acha que tem muito, comem sardinha, mas falam que é caviar.
Tá cheio de gente andando de carro novo sem seguro e pagando aluguel. Minha sogra morou num prédio de apartamentos de 2 quartos em São Mateus. A garagem era cheia de carros que custavam mais ou quase o mesmo preço do apartamento do prédio !!!!!!
2)Outra pergunta que faço sempre é QUEM vai comprar um apartamentos deste valor para moradia (como investimento é besteira, explicarei em outro post em breve) pois quem o fizer só pode ser maluco, como explica o site
bolha imobiliaria:
"A estrutura do SFH é extremamente segura: para que alguém consiga financiar um imóvel pelo sistema, é preciso mostrar a compatibilidade de sua renda com as prestações, e os juros são relativamente pré-fixados. Ou seja, é possível divisar, com certa segurança, se alguém terá condição de honrar o compromisso.
Para que o leitor tenha uma idéia, alguém com uma renda bruta familiar de R$ 20.000,00 e deseje comprar um apartamento de R$ 800.000,00 (um apê normal de 100 metros quadrados e três quartos em Brasília, com elevador e garagem) por mês somente poderia financiar, pelo SFH, 63% do financiamento do imóvel. Teria que dar uma entrada de R$ 293.000, e financiaria os restantes R$ 507.000 em “módicas” parcelas de R$ 5.992,00 ao longo de 30 anos - e para encontrar os cálculos basta fazer uma simulação, acessando o simulador da Caixa Econômica Federal. Ou seja, é muito caro o financiamento pelo SFH, e há muitas regras que restringem a elevação sustentável do preço. Se esse apartamento tiver seu preço elevado para R$ 900.000 (uma alta módica de 12% no valor do imóvel), o sujeito que tem renda familiar de R$ 20.000 já precisaria ter uma economia de R$ 400.000."
Com exceção de altos funcionários públicos, alguns profissionais liberais muito bem sucedidos e alguns empresários, quem conseguiria pagar uma prestação destas, durante 30 anos ? Lembrando que os que citei acima provavelmente já moram um apartamento desses.
Onde estão os compradores destes apartamentos de quase 1 milhão ?????